Mudar é preciso

Mudar é preciso

O homem é e sempre foi nômade por natureza. Essa é sua condição mais primária da qual não há como escapar. Quem não se lembra de brincar, quando criança, de ficar num abrigo sob algum lençol, ou debaixo de uma mesa, ou acampar em uma barraca, mesmo dentro do próprio quarto? São lembranças que trazemos de nossos ancestrais que viviam sob tetos às vezes improvisados, provisórios, feitos em algumas horas, para depois serem abandonados, para que fosse possível continuar seguindo a aventura de viver por aí. Viajando. Ninguém era louco o suficiente para insistir em permanecer em um lugar onde a comida era escassa, o trabalho muito duro e o tempo, um inimigo. O homem das cavernas sabia a hora de partir. O índio também. O homem sábio é assim, desde sempre. Precisa partir para novos horizontes quando o ar está viciado. Precisa mudar.

Crescemos, nos desenvolvemos, ganhamos dinheiro e compramos casa. Criamos vínculos caminhosque nos prendem a um lugar, contrariando nosso mais íntimo desejo de não nos fixarmos. Viajar é um antídoto para o ficar aqui. Uma maneira de nos reconciliarmos com a nossa essência, com a natureza, com o mundo, com as pessoas que ainda não conhecemos, com as experiências que ainda não tivemos, com o prazer e medo do desconhecido… Muitos dizem que uma viagem serve para esquecer algum problema, curar a alma, renovar o espírito. Outros dizem que viajar faz com que você descubra quem você realmente é, como lida com certas situações e emoções. E viajar é tudo isso junto, uma espécie de renascimento mesmo. Uma cidade nova aos seus olhos pode inspirá-lo em algum novo trabalho ou modo de vida. Uma cultura diferente pode fazê-lo refletir sobre a sua própria cultura e, a partir desse reencontro, um outro “eu” pode surgir e ampliar seus horizontes.

Então quer dizer que pertencer a um lugar, morar num endereço, seria um contrassenso? Claro que não. A lua tem quatro fases, a moeda tem duas faces, o mundo é arredondado, então por que o homem tem de ser um homem só, único, plano e reto? Ele é multifacetado, naturalmente. No trabalho ele é centrado e, talvez até sisudo; em casa é carinhoso com a família; com o amigo de infância, as brincadeiras nunca acabarão; em frente a um noticiário de TV, ele poderia até se sentir um Presidente da República.
trilhos

A rotina é boa e faz bem. Viajar é bom e faz bem. Ser sadio é aquele que sabe equilibrar essas duas faces da mesma moeda. Não somos mais primitivos a ponto de nunca nos fixarmos porque descobrimos muitos bons motivos para ficar! No entanto, não podemos deixar morrer o primitivo que existe em nós, pois nunca mais saberíamos apreciar o pôr-do-sol ou uma linda e formosa lua cheia. Por isso, mude! Mesmo que você dê apenas uma voltinha no quarteirão do bairro onde mora. Saia de casa. OLHE de outra forma. OBSERVE o seu entorno, aquela luz de tarde que você não havia percebido até então, batendo naquela janela, do outro lado da rua. Sua curiosidade pelas coisas despertará em você sentimentos que o surpreenderão e farão que você ganhe o mundo! Viaje.

 

 

 

fotos: Manoel Reis

1 Comentário

  1. Elizabeth Rosa Queres de Mesquita

    Parabéns Marcia, muito inteligente a maneira de nos fazer refletir sobre pequenas coisas que nos fazem valorizar a VIDA.

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